Aquele tipo de dor-de-cabeça permanente, que dura o dia inteiro, como uma música antiga perdurando e rondando o encéfalo, lhe fazendo lembrar, relembrar, e de novo e mais uma e outra vez...
A dor me lembra a cada instante que as olheiras aumentam, a palidez cresce, as tosses ficam cada vez mais firmes, e a cabeça parece prestes a estourar... Uma mistura de um Beetoven irritante que não pára de tocar essas sinfonias tão parecidas umas com as outras e a modinha de outrora, que eu gostava...
É a pena da galhofa de Brás riscando o papel com tinta da melancolia, e Lúcia me fazendo viver mais anos em uma hora do que em toda a minha vida, o coração palpitando, vivendo, rufando...
Talvez seja o spleen, o mal do século, talvez o Azevedo estivesse certo, nesses teus raios divinos me abandono, talvez esses sejam os últimos... Está tudo em silêncio, com a dor a latejar, a boca a tossir, a tuberculose a espalhar, o café a descer pela garganta e Lúcia a se despir...
Isso sim é sinfônia, ah Lúcia...
sábado 30 de agosto de 2008
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