Chorei como uma criança, sentada na minha nada confortável poltrona do avião. A mulher do lado me olhava, séria e levemente assustada - ou apenada, mas tanto faz - e eu assoei o nariz sem me importar com os olhos curiosos dela em cima de mim.
Me ajeitei no assento e verti as lágrimas no Kleenex branco que tinha em mãos, já empapado de tanta água salgada que lhe caía. Então o coração doeu muito e fechei os olhos soluçando, sentindo o sosego começar a chegar, devagarinho, como uma erva-daninha que cresce aos poucos. Nesse caso, a era não tinha nada de daninha.
A aeromoça perguntou se eu estava bem, se eu queria algo, se mandava prepararem um "té". Não não, obrigada, a dor já passou. E, enquanto a minha vizinha de poltrona imaginava que eu estava deixando em São Paulo meu namorado, a família, uma amiga do coração, eu repassava na cabeça as últimas frases do livro, que haviam me comovido até a alma.
No fundo não sei porque chorava: se por ter terminado um bom livro (desses que você não quer que termine nunca), por ter sido um final extremamente válido e ao mesmo tempo triste, ou porque realmente estava deixando a minha família mais uma vez, dessa vez sem saber ao certo quando eu voltaria a vê-los. Talvez dentro de um ano.
E assim, dessa maneira velada, o bolo imenso no meu peito se desfez, no choro explicado pelo fim do livro, nesse choro realmente doloroso, quase como uma libertação ou um fim de ciclo. Dessa maneira, não sei como, o coração se assentou no peito, a batucada descompassada se acalmou e respirei tranqüilamente.
A mulher do lado se ajeitou na poltrona mais calma, já não incomodada pelas minhas reações. A aeromoça sorriu e me deu um copinho d'água, e por fim me deixaram em paz, na santa solidão divina, sem olhos curiosos em cima de mim.
Fosse livro ou fosse tristeza, chorei a gota gorda até o coração amansar dentro do peito. E já estava pronta para mais uma longa viagem.
miércoles 2 de junio de 2010
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1 comentarios:
Me deu vontade de chorar! Te amo.
Eden
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